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Socorro - A Poesia Está Matando O Povo

Em 12 de dezembro de 1968, numa produção dos “universitários” como é citado em um determinado momento da gravação, a Rádio da Universidade Federal de Goiás gravou aquilo que seria o último show de Geraldo Vandré no Brasil.

 

 

Nas pesquisas que fiz não encontrei nenhum documento que me confirmassem as datas do evento, mas o que pude apurar, através de pesquisas e conversas, foi que esse show aconteceu no Cine Teatro Goiânia no dia 12 de dezembro e que no dia 13 de dezembro ele teria um show em Anápolis e no dia 14 de dezembro outro em Brasília. O nome do show era “Pra não dizer que não falei de flores” cujo título, censurado diga-se, passou a ser “Socorro – a poesia está matando o povo” acompanhado do conjunto “Quarteto Livre” formado pelos músicos Franklin da Flauta, Naná Vasconcelos, Nelson Ângelo e Geraldo Azevedo.

Durante o show uma pessoa foi ao microfone e, sem se identificar, disse o seguinte: “ Eu gostaria de avisá-los que dada aos compromissos que adiamos do Vandré na região ele pode ainda ficar até amanhã e esse show será repetido a preços populares amanhã no mesmo horário. Os convites podem ser encontrados na Galeria Village, e lá, o Vandré estará entre 15 e 16 horas para dar autógrafos. Ainda no Cine Teatro Goiânia, em frente, no Hotel Bandeirantes, no Sancho Pança, e no Navesa S/A, vocês encontrarão os ingressos para o outro espetáculo a preços populares promovido pelos universitários” Com essa informação dada no microfone do Teatro Goiânia, levanta-se uma questão que não sabemos afirmar qual a correta: Geraldo Vandré cantou no dia seguinte novamente em Goiânia como informou alguém no microfone por ter sido o show de Anápolis cancelado, ou, como informa Nelson Ângelo, músico do “Quarteto Livre” que acompanhava Vandré, que eles mudaram a rota no caminho entre Anápolis e Brasília. Não sabemos ao certo.
Se as informações que temos das datas de 12, 13 e 14 forem corretas, Os dois últimos shows de Geraldo Vandré foram em Goiânia, mais precisamente no Cine Teatro Goiânia nos dias 12 e 13, provavelmente em Anápolis no 14 de dezembro de 1968.

Com a promulgação no dia 13, uma sexta-feira, de dezembro de 1968 do Ato Institucional número 5, o AI-5, que dava poderes extraordinários ao presidente da República e suspendia várias garantias constitucionais cuja primeira consequência foi o fechamento do Congresso Nacional por quase um ano.

Poucos artistas sentiram o peso da ditadura militar da forma em que sentiu Geraldo Vandré. Por conta da canção “Pra não dizer que não falei de flores” também conhecida pelo título “Caminhando” vice-campeã no 3º Festival Internacional da Canção perdendo para “Sabiá” de Chico Buarque de Holanda e Tom Jobim. As vaias do público à música de Tom e Chico só não foram maiores que as vaias que recebeu a música “Beto bom de bola” de Sérgio Ricardo no 4º Festival no ano seguinte.

O sucesso de “Caminhando”, um hino da juventude contra a ditadura, transformou a vida do Vandré em um martírio e sua execução foi oficialmente proibida no dia 23 de outubro de 1968. Os discos de Vandré eram apreendidos e o medo de ser preso foi intensificado com o AI-5 que o levou a fuga do Brasil a partir de Goiânia passando pelo Rio, se escondendo por um tempo no Brasil com o apoio da viúva de Guimarães Rosa se exilando no Chile ainda no mesmo mês de dezembro que ele cantou em Goiânia e posteriormente foi para a França de onde veio para o Brasil em 1973.

Geraldo Vandré, que veio do Rio de Janeiro de carro para os shows em Goiás, resolve abandonar o país e volta ao Rio por estradas alternativas e, segundo informações também não confirmadas, nessa viagem ele compõe em parceria com Geraldo Azevedo a música “Canção da Despedida”. Geraldo Vandré, no entanto, em entrevista em 2004 para o Ricardo Anísio, ele disse nunca ter tido parceiro nessa canção, que a gravou no disco “Das Terras do Bemvirá” na França e que quando o disco veio para o Brasil veio sem essa faixa e o porque ele não sabe dizer.

Vandré retorna ao Brasil em 16 de julho de 1973 ficando incomunicável nos quartéis do exército e, quando saiu, disse que sua canção teria sido injustamente apropriada por grupos políticos e que a partir dali, só faria canções de paz e amor.

Ouvindo o programa “O Jovem é o Dono da Tarde” de Francisco Paes, descobrimos que a gravação feita no dia 12 foi ao ar com o título “Geraldo Vandré Show” no Especial de Fim de Ano pela Rádio da Universidade às 18 horas do dia 31 de dezembro de 1968 apesar do AI-5.

E é o resultado desse trabalho que estamos disponibilizando ao ouvinte da Rádio Universitária, através do nosso site www.radio.ufg.br desse arquivo de áudio que é uma verdadeira preciosidade. O último show de Geraldo Vandré

Fonte : Wilmar Ferraz

Categorias : Geraldo Vandré Programas Históricos UFG Rádio Universitária

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